Liberação para financiar imóvel pode demorar até 3 meses

Crédito
São Paulo – O prazo de liberação do financiamento é um dos pontos mais importantes da compra do imóvel e pode definir se você conseguirá ou não comprar a casa dos seus sonhos.

Segundo Marcelo Prata, diretor do site Canal do Crédito, que compara as taxas oferecidas pelos bancos, quem compra um imóvel na planta e precisa buscar o financiamento no banco na hora da entrega das chaves tem geralmente entre 30 a 60 dias para quitar a dívida com a construtora.

O prazo é contado a partir da emissão do Habite-se do imóvel. Caso não consiga a liberação do crédito nesse período, o comprador pode pagar juros e  multas.

Por outro lado, quem busca um imóvel usado pode perder o negócio caso o vendedor tenha urgência em vender a unidade e o financiamento demore para ser liberado pelo banco.

O tempo de aprovação do financiamento é um dos principais problemas enfrentados no processo de compra do imóvel, diz Prata. “O processo é lento, principalmente quando é necessário repassar a dívida entre a construtora e o banco ou de uma instituição financeira para outra”, afirma. .

Segundo a Associação Brasileira das entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP), o tempo médio para liberação do financiamento nos bancos é de 40 dias.

Mas de acordo com Gilberto Abreu,diretor de negócios imobiliários do Santander, o prazo pode atingir até três meses em casos extremos.

Esse prazo não depende apenas da agilidade da instituição financeira, diz o executivo. “Se a entrega do empreendimento atrasa, o banco não aprova o crédito e o comprador tem problemas na liberação do FGTS ou nas documentações necessárias para registrar a compra, o processo já pode durar meses.”

Burocracia e sistemas travam operação

O tempo necessário para a emissão de contratos após a aprovação do crédito varia entre as instituições financeiras. O prazo médio pode ser de nove a 30 dias, dependendo do banco escolhido.

No Itau, o crédito é aprovado no mesmo dia e o tempo médio para emissão do contrato do financiamento é de nove dias, segundo Luiz França, diretor de crédito imobiliário do banco. “Aprovamos 85% do crédito na hora”.

A Caixa afirma que pode liberar o financiamento em até dez dias. No Santander, o prazo é de 12 dias, enquanto no Banco do Brasil o processo demora 15 dias e, no Citi, 18 dias. Procurados, HBSC e  Bradesco não informaram o prazo médio para liberação do crédito imobiliário.

Esses prazos consideram que a documentação do comprador e do vendedor estejam em ordem. Caso haja algum erro, ou a exigência de documentos adicionais, o prazo é maior.

A maioria dos bancos não se arrisca a dizer qual o tempo médio que o cliente leva para obter toda a documentação e certidões necessárias em órgãos públicos. Os prazos fornecidos consideram apenas o tempo médio do processo no banco.

Apenas o Santander diz que o prazo médio total para que o comprador consiga obter o financiamento imobiliário é de 32 dias, incluindo o tempo necessário para o comprador obter a documentação necessária e conseguir registrar o imóvel no cartório, conta o diretor de negócios imobiliários do banco.

No Citi, na maioria dos casos a contratação do financiamento leva cerca de 30 a 60 dias, desde a análise de crédito até a liberação do pagamento ao vendedor.

Se o pedido de financiamento ultrapassar o prazo médio, o Santander busca priorizar o caso e solucionar o problema de forma rápida. “Mas há situações que fogem do nosso controle”, diz Abreu.

Caso o comprador não tenha o crédito aprovado ou liberado pelo banco, e necessite buscar outra instituição financeira como alternativa, os prazos internos dos bancos se acumulam e o processo pode demorar ainda mais.

A liberação do financiamento também pode atrasar caso o comprador opte por financiar o imóvel em uma instituição financeira diferente daquela para a qual foram pagas as parcelas do pagamento do imóvel durante a fase da obra.

Isso porque o banco que financia a construção começa a coletar a documentação necessária para o financiamento da construtora e compradores cerca de 120 dias a 90 dias antes de o empreendimento ficar pronto, diz França, do Itaú.

Além de a migração da dívida ser uma operação mais burocrática, o banco que financiou a obra pode criar obstáculos para forçar o comprador a desistir da mudança, ainda que as taxas da outra instituição financeira sejam mais vantajosas

O tempo para liberação do financiamento também pode se alongar caso o comprador queira utilizar o FGTS na compra, que deverá ser liberado pela Caixa, agente operador do fundo. “Se há um problema em alguma dessas operações, que também envolvem outras empresas e bancos, todo o processo de liberação do financiamento atrasa”, diz Abreu, do Santander.

Nos cartórios o processo pode ser mais rápido

O prazo de emissão do contrato dos bancos pode ser reduzido se o comprador optar por fazer uma escritura pública e registrar o imóvel diretamente em um tabelião de notas. “O serviço pode ser mais rápido e barato do que o oferecido pelos bancos”, diz o presidente do Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo (CNB/SP), Carlos Fernando Brasil Chaves.

Além de o notário ser especializado nessas operações, os contratos feitos pelos bancos podem ter problemas jurídicos que podem levar o cartório a exigir a correção do documento, o que atrasa a liberação do financiamento, argumenta Chaves. “O preço nos cartórios pode ter descontos porque buscamos incentivar o uso do serviço. Já nos bancos, o valor não costuma ser informado”.

Segundo o presidente da CNB/SP, o prazo para emissão do contrato e registro do imóvel pode variar entre cinco e dez dias úteis. A elaboração do contrato via cartório também pode oferecer maior segurança jurídica, diz. “O serviço diminui as chances de o comprador encontrar cláusulas abusivas no contrato, pois o notário não é uma parte interessada no negócio”.

Como se prevenir

O tempo para liberação do financiamento do imóvel depende de uma série de participantes do processo, como a construtora, o vendedor, os bancos, as prefeituras e cartórios. Mas, os próprios compradores podem fazer sua parte para acelerar a aprovação do crédito.

Primeiramente,o comprador deve ter crédito aprovado no banco. Para concluir esse processo, são necessários documentos pessoais que comprovem sua renda e mostrem seu histórico de crédito.

Os bancos geralmente buscam aprovar o crédito de forma rápida, mas há situações nas quais podem ser necessários documentos adicionais.

O comprador pode precisar adicionar a renda de parentes para obter o crédito, por exemplo. “Nesses casos, o processo pode levar uma semana a mais”, diz Abreu, do Santander.

Para liberar o crédito, além da documentação de praxe, o banco pode pedir documentos específicos, como uma procuração caso a compra seja feita por mais de uma pessoa e um dos compradores não more na cidade.

Portanto, o comprador deve pedir o máximo de orientações ao banco e ao cartório para fornecer a documentação correta, e se informar sobre quais outros documentos podem ser necessários no seu caso.

Como a migração de financiamentos entre instituições financeiras e o uso do FGTS na compra do imóvel envolvem informações sigilosas, o comprador deve fornecer dados precisos.

Qualquer erro pode exigir que o comprador faça todo o processo novamente, pois o banco não poderá corrigir ou exigir a informação correta nesses casos, conta Abreu. “Refazer essa etapa pode dobrar o tempo para a liberação do crédito”.

O comprador também pode cobrar documentos da construtora. “O ideal é que o comprador tenha uma previsão do prazo de entrega da obra para começar a reunir os documentos e deixar pendente apenas as informações que dependem da entrega do imóvel”, diz Marcelo Prata.

Apesar de dizer que a burocracia envolvida no financiamento imobiliário vem diminuindo, inclusive a partir de iniciativas dos próprios bancos, Prata diz que o maior problema para agilizar o processo é a gestão de informações.

Portanto, ao buscar o financiamento o comprador deve verificar se o banco oferece diferenciais, como consultoria gratuita especializada. “Todas as empresas e órgãos envolvidos na transação devem orientar o comprador para evitar erros e atrasos”, diz o consultor financeiro.

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Caixa projeta aumento no total de crédito imobiliário em 2015

casa prontaO vice-presidente de Habitação da Caixa, José Urbano Duarte, informou em evento do setor imobiliário, em Brasília, que o total de crédito imobiliário no Brasil chegará a cerca de R$ 200 bilhões até o final de 2014. Esse valor vale para todas as instituições de crédito e representará aumento de 10% em relação ao fechamento de 2013. Para 2015, a expectativa é nova elevação de 10% nas operações de crédito imobiliário. A inadimplência no crédito imobiliário em 2014 deverá ser de 1,5%, permanecendo estável em relação aos últimos anos, informou.

Para Duarte, o crédito imobiliário equivalerá a 9% do Produto Interno Bruto (PIB) até o final de 2014. “Esse mercado cresceu nove vezes desde 2008. Antes financiávamos R$ 5 bilhões ao ano. Agora são R$ 5 bilhões em 15 dias”.

Segundo Duarte, “ainda há muito espaço” para crescimento do mercado imobiliário, com demanda aquecida por parte da sociedade. Ele revelou, em seu discurso na abertura do 9º Salão ADEMI Wimóveis, que há “enorme procura” pelas simulações de financiamento imobiliário no site da Caixa na internet. “As simulações únicas (por CPF informado) totalizam 7 milhões ao mês no Brasil. No Distrito Federal, esse número é de 138 mil simulações únicas mensais (dados de outubro)”, informou.

O dirigente do banco ainda comentou que o perfil dos compradores de imóveis no Brasil está mudando. “No Distrito Federal, por exemplo, 57% dos interessados em comprar imóveis têm até 35 anos de idade. Há alguns anos esse teto era 45 anos. Esse dado do DF é bem semelhante ao perfil nacional”, disse. Outra informação relevante é que 15% das operações de simulação são para imóveis de R$ 80 mil; 5% abaixo de R$ 400 mil. “São indicadores que mostram que o mercado é promissor”, afirmou.

Fonte : Redação – Agência IN em ( 28/11/2014).