Bancos mantêm cota para financiamento

Post Bancos mantém
Os principais bancos privados do País decidiram que não acompanharão a nova política imobiliária da Caixa Econômica Federal, anunciada na segunda-feira. A partir da semana que vem (dia 4), o teto para financiamento de casas e apartamentos usados na instituição estatal cairá de 80% para 50% nas operações do SFH (Sistema Financeiro de Habitação), cujo valor máximo é de R$ 750 mil. Essa linha de crédito é utilizada em 90% das compras de imóvel no Brasil.

Bradesco, Santander e HSBC, que financiam até 80% do valor, anunciaram que manterão a cota inalterada. No Itaú Unibanco, o percentual de financiamento é o mesmo, mas o banco não informou se fará algum tipo de redução por estar em período de silêncio, devido à preparação da divulgação de resultados financeiros recentes. O Banco do Brasil, que possui capital misto, financia até 50% do valor na tabela Price (em que as parcelas são estáveis ao longo dos anos) e 80% no SAC (Sistema de Amortização Constante), e também não fará alterações.

Apesar de as instituições privadas facilitarem o acesso ao financiamento de imóveis usados, é preciso ter cuidado na escolha do emissor de crédito. Isso porque, apesar de ter restringido as operações para clientes com pelo menos 50% do valor de entrada, a Caixa ainda oferece os melhores juros do mercado, de 9,45% ao ano mais a TR (Taxa Referencial, que ontem estava fixada em 0,1293%). Nos bancos privados, as taxas variam entre 9,6% e 11,5% e também acrescem a TR. Esses percentuais são referentes à chamada taxa de balcão, para clientes sem qualquer tipo de relacionamento com o banco. As condições ficam mais favoráveis conforme o mutuário adquire outros produtos da mesma instituição, como conta salário e cartão de crédito, por exemplo.

Em relação ao tempo máximo de financiamento, Caixa e Santander fixam prazo de 420 meses (35 anos), enquanto os demais estabelecem 360 meses (30 anos). Quanto menor for o número de parcelas, maior será o valor.

Para escolher entre a Caixa e os bancos privados, o consultor financeiro Mauro Calil adverte que é preciso, em primeiro lugar, analisar a urgência da compra. “Se o cliente não possui 50% do valor para dar como entrada, mas também não precisa adquirir o imóvel imediatamente, pode juntar mais dinheiro até conseguir atingir o mínimo ou fazer um consórcio imobiliário. Nesse caso, terá de pagar a taxa de administração, que é menor do que os juros.”

Planejador financeiro e professor da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras), Silvio Paixão orienta para que se evite entrar em dívidas. “Quando você tem dinheiro, aparecem galinhas mortas. Quando está endividado, você pode ser a galinha morta”, ilustra. Ou seja, também é favorável à opção de se aguardar até que haja valor para uma entrada maior.

Paixão avalia que o fato de a Caixa ter reduzido a cota máxima financiável para imóveis usados demonstra que, como instrumento de política habitacional, dará preferência a empreendimentos novos – cujas construções também geram empregos. Em relação aos bancos privados, o professor avalia que o foco se dá sobre as unidades usadas, já que essas, por estarem consolidadas, representam maior garantia para o financiador. Isso porque, em caso de não pagamento, o bem poderá ser confiscado.

ALTERAÇÕES – As mudanças nos tetos do SFH foram feitas porque essa linha de crédito utiliza recursos da poupança. Diante da crise financeira, em que a caderneta apresenta rendimento baixo e a taxa básica de juros (Selic) em 12,75% ao mês – podendo subir hoje a 13,25% após reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) –, houve grande retirada de recursos do fundo em março. Foi registrada saída líquida da poupança (diferença entre retiradas e depósitos) de R$ 11,43 bilhões no mês passado, a maior retirada mensal desde 1995, segundo o Banco Central.

O SFI (Sistema Financeiro Imobiliário) terá o teto de financiamento reduzido de 70% para 40% pelo SAC. A modalidade tem como principal fonte de recursos grandes investidores institucionais.

Para imóveis novos, a Caixa manteve a cota máxima fixada em 80%. Há cerca de duas semanas, a instituição já havia anunciado a redução de 90% para 80% do teto, tanto para usados quanto para novos. As taxas anuais de juros também sofreram alteração, subindo de 9,15% para 9,45% para quem não tem conta no banco estatal. Para correntistas, passou de 9% para 9,3%.

Fonte: Diário do ABC ( 29/04/15).

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Caixa Econômica reduz limite de financiamento de imóveis usados

Medida vale apenas para imóveis financiados com recursos da poupança.
Teto passará de 80% para 50% do valor de imóveis negociados pelo SFH.

Caixa post

A Caixa Econômica Federal vai reduzir o limite de financiamento para imóveis usados a partir de 4 de maio. O objetivo é focar a oferta de crédito habitacional em moradias novas. O banco detém 70% de todos os financiamentos de imóveis no país.

A mudança vale apenas para imóveis usados financiados com recursos da poupança – ficam de fora da mudança o crédito para a habitação popular, como o programa Minha Casa Minha Vida, e os financiamentos com recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). Nestas modalidades, não houve alterações, segundo a Caixa.

Pelas novas regras, os financiamentos com recursos da poupança (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) terão uma redução do limite do valor total financiado de 80% para 50% do valor do imóvel no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), e de 70% para 40% para imóveis no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), pelo Sistema de Amortização Constante (SAC).

Com as mudanças, quem comprar um imóvel usado pelo SFH terá que dar uma entrada de no mínimo 50% e financiar a outra metade. Antes, a entrada mínima era de 20%. No caso do SFI, o valor mínimo da entrada passará a ser de 60%, para o consumidor financiar os outros 40%.

MUDANÇA DE LIMITE DE FINANCIAMENTO DA CAIXA
LIMITE SFH SFI
Antigo 80 70%
Novo 50% 40%

Restrição nas vendas
Para o vice-Presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF), Eduardo Aroeira Almeida, essa restrição vai afetar principalmente consumidores com menos recursos para comprar imóveis.

“A faixa de compradores entre entre R$ 190 mil e R$ 250 mil costuma ter valores menores disponíveis para dar como entrada”, diz.

“Com esse limite, menos pessoas vão conseguir vender seus imóveis usados para comprar outros maiores, e isso afeta as vendas mercado de imóveis como um todo, inclusive os novos”, acredita o economista, que vê a possibilidade de um aumento no déficit habitacional por conta da restrição.

Como a proporção de vendas de imóveis usados é bem maior que a de novos, Almeida também acredita que essa restrição pode afetar, inclusive, o nível de emprego no setor de construção civil, uma vez que o desaquecimento nas vendas no mercado imobiliário desestimula o lançamento de novas unidades pelas construtoras.

Preços dos imóveis
Por outro lado, Almeida não acredita que essa restrição nas vendas de usados possa provocar uma redução nos preços dos imóveis. “A margem na queda dos preços já está muito apertada”, avalia.

Em março, os preços dos apartamentos à venda acumularam no ano queda real (considerando a inflação do período) de mais de 3% em 20 cidades brasileiras, segundo o índice FipeZap. No mês passado, a alta nos preços foi de 0,14% na comparação com fevereiro. No acumulado em 2015, o aumento é de 0,69%.

No mesmo período, a inflação esperada para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é de 3,91%. Dessa forma, o preço médio do metro quadrado registra nos três primeiros meses do ano queda real de 3,1%. Foi a 5ª vez seguida que o índice teve queda real de preços na comparação mensal.

Fuga da poupança
A restrição ocorre após a caderneta da poupança ter registrado uma saída líquida (retiradas menos depósitos) de R$ 11,43 bilhões em março, a maior fuga de recursos da aplicação para todos os meses. Quando a captação da poupança é reduzida, os recursos para empréstimos ficam mais escassos.

Março foi o terceiro mês seguido em que a poupança registrou recorde de saídas de valores. Em janeiro, R$ 5,52 bilhões haviam deixado a caderneta, valor que subiu para R$ 6,26 bilhões em fevereiro deste ano e para mais de R$ 11 bilhões em março.

Alta dos juros
Este mês, a Caixa voltou a aumentar as taxas de juros do financiamento imobiliário com recursos da poupança pelo SFH. O primeiro aumento de 2015 foi aplicado em janeiro. As novas condições passaram a valer para financiamentos a partir de 13 de abril.

Os financiamentos habitacionais contratados com recursos do Programa Minha Casa Minha Vida e do FGTS não foram afetados pela mudança.

Fonte: G1 em 27/04/15.

OS BANCOS COM AS MENORES TAXAS DE FINANCIAMENTO IMÓBILIÁRIO

Post banco

Ao pesquisar o custo do financiamento para compra do imóvel entre diversas instituições financeiras, o consumidor pode economizar até 119 mil reais. É o que conclui o levantamento da associação de consumidores Protesteque aponta quais bancos oferecem as maiores e menores taxas no crédito imobiliário.

Foram simuladas três situações para um perfil de comprador de 35 anos e um prazo de financiamento de 30 anos.

No primeiro cenário, o tomador tem uma renda familiar mensal de 10 mil reais e quer comprar uma unidade de 400 mil reais. No segundo cenário, a renda familiar é de 22 mil reais por mês e o preço do imóvel é de 800 mil reais  e, no terceiro cenário, a renda familiar mensal é de 4,5 mil reais e a unidade custa 150 mil reais.

O objetivo é mostrar qual é o melhor financiamento em cada cenário considerando as condições oferecidas em sete bancos: Caixa, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco,Santander, HSBC e Banrisul.

A posição de cada instituição no ranking foi definida a partir do Custo Efetivo Total (CET) oferecido em cada empréstimo. O CET é a taxa que mostra não só os juros, como todos os encargos incluídos no financiamento do imóvel, e é a melhor forma de comparar as taxas oferecidas pelos bancos.

O Citi ficou de fora do levantamento da Proteste porque não permite realizar a simulação do crédito imobiliário pela internet.

Como o Banco do Brasil permite realizar simulações em prazos de 30 anos apenas no primeiro cenário, ele não foi incluído nas simulações dos demais cenários, para os quais o banco oferece apenas financiamentos de até 25 anos.

Em financiamentos com prazos menores, os juros e tarifas com seguro são menores, o que acaba reduzindo o CET oferecido pelo banco aos clientes. Por conta disso, o Banco do Brasil foi retirado dos dois rankings.

Veja a seguir as instituições financeiras que oferecem os financiamentos imobiliários mais baratos de acordo com levantamento realizado pela Proteste:

Primeiro cenário

Renda familiar mensal de 10 mil reais para a compra de um imóvel de R$ 400 mil e financiamento de 80% do valor da unidade.

Bancos e condições CET (ao ano) Juros (ao ano) + TR 1ª prestação Última parcela
1º lugar: Caixa (Relacionamento + Conta salário) 9,31% 8,69% R$ 3.240,37 R$ 919,69
2º lugar: Caixa (Relacionamento) 9,60% 9,00% R$ 3.314,40 R$ 919,89
3º lugar: Caixa (Taxa balcão) 9,76% 9,14% R$ 3.351,33 R$ 920,00
4º lugar: HSBC 10,13% 9,50% R$ 3.431,04 R$ 961,16
5º lugar: Bradesco 10,52% 9,60% R$ 3.465,30 R$ 920,71
6º lugar: Santander (Conta salário) 10,54% 9,80% R$ 3.539,90 R$ 920,84
7º lugar: Itaú 10,60% 9,70% R$ 3.502,94 R$ 960,42
8º lugar: Banrisul 10,45% 9,50% (nominal) R$ 3.520,39 R$ 958,09

Segundo cenário

Renda familiar mensal de 22 mil reais para a compra de um imóvel de 800 mil reais e financiamento de 70% do valor da unidade.

Bancos e condições CET (ao ano) Juros (ao ano) + TR 1ª prestação Última parcela
1º lugar: HSBC 10,07% 9,50% R$ 5.995,78 R$ 1.672,59
2º lugar: Santander (Conta salário) 10,56% 9,90% R$ 6.228,89 R$ 1.592,84
3º lugar: Itaú 10,57% 9,70% R$ 6.120,41 R$ 1.670,99
4º lugar: Caixa (Relacionamento + Conta salário) 10,97% 10,50% R$ 6.405,73 R$ 1.566,94
5º lugar: Bradesco 11,13% 10,30% R$ 6.353,98 R$ 1.593,32
6º lugar: Caixa (Relacionamento) 11,17% 10,69% R$ 6.490,81 R$ 1.567,18
7º lugar: Caixa (Taxa balcão) 11,47% 10,99% R$ 6.618,21 R$ 1.567,53
8º lugar: Banrisul 11,63% 10,60% R$ 6.664,52 R$ 1.668,56

Terceiro cenário

Renda familiar mensal de 4,5 mil reais para compra de um imóvel de 150 mil reais e financiamento de 80% do valor da unidade.

Bancos e condições CET (ao ano) Juros (ao ano) + TR 1ª prestação Última parcela
1º lugar: Caixa (Programa Minha Casa Minha Vida) 7,88% 6,86% R$ 1.045,72 R$ 361,39
2º lugar: Banco do Brasil (Programa Minha Casa Minha Vida) 8,37% 6,86% R$ 1.110,89 R$ 385,38
3º lugar: Banrisul 9,99% 8,80% (nominal) R$ 1.265,77 R$ 374,71
4º lugar: HSBC 10,50% 9,50% R$ 1.302,26 R$ 377,42
5º lugar: Itaú 10,83% 9,70% R$ 1.329,22 R$ 375,78
6º lugar: Bradesco 10,96% 9,60% R$ 1.315,11 R$ 360,89
7º lugar: Santander (Conta salário) 10,99% 9,80% R$ 1.343,09 R$ 360,94

Fonte: Proteste, com dados obtidos através de simulação realizada no site dos bancos 

A maior economia, de 119.362,61 mil reais, pode ser obtida no segundo cenário – renda familiar mensal de 22 mil reais e financiamento de 70% do valor de um imóvel de 800 mil reais -, se o financiamento for feito com o HSBC, que tem o menor CET (10,07%), em vez do Banrisul, cujo CET é o mais elevado (11,63%).

O comprador que tem como objetivo adquirir um imóvel de 400 mil reais e tem renda familiar mensal de 10 mil reais irá encontrar o financiamento com o menor custo na Caixa, tanto se ele receber o salário pelo banco, como se tiver um relacionamento prévio com a instituição financeira ou se ainda não for cliente.

Se o objetivo é comprar um imóvel de 150 mil reais e a renda familiar for de 4,5 mil reais por mês, a Caixa e o Banco do Brasil oferecem os menores custos no financiamento da unidade, pois ambos concedem incentivos previstos no programa Minha Casa, Minha Vida.

O Banco do Brasil oferece CET de 10,14% e 9,98% ao ano no primeiro e no segundo cenário, respectivamente, caso o tomador do crédito receba o salário pelo banco, pague as parcelas do débito em dia; e financie a unidade em 25 anos.

Para clientes que pagarem as prestações em dia, o CET oferecido pelo banco no primeiro cenário é de 10,24% ao ano e, no segundo cenário, de 10,08%. Para quem ainda não tem conta no banco, a taxa cobrada é de 10,34% ao ano no primeiro cenário e 10,18% no segundo cenário, também no caso em que a dívida seja parcelada em 25 anos.

Quanto maior o tempo de relacionamento com o banco, menor pode ser a taxa de juros cobrada no crédito imobiliário. Ter uma conta salário também pode render descontos em taxas.

O comprador também pode obter boas condições de financiamento ao contrair o crédito em um banco que ele não tem relacionamento e pagar a chamada taxa balcão.

Fonte: EXAME ( 10/04/2015).

Calcule os custos do seu financiamento imobiliário

Quanto custa 2

Calcular os custos de um financiamento imobiliário é muito mais complexo do que dividir o valor do imóvel pelo número de parcelas. Com seguros, juros e taxas envolvidas na operação, fazer esse tipo de conta é uma brincadeira mais indicada para quem é da área de exatas.

Se esse não for o seu caso, nós te damos uma forcinha. EXAME.com acaba de lançar a ferramenta “Simulador de financiamento imobiliário (Sistema SAC)”, desenvolvida em parceria com o Canal do Crédito, site que compara custos de diferentes operações de crédito.

A ferramenta permite calcular os custos envolvidos no financiamento, o valor final da operação e o tamanho das parcelas. Clique aqui para acessar.

Para fazer a simulação, é preciso incluir as seguintes informações: valor do imóvel; valor de entrada; taxa de juros do financiamento; prazo da operação (em meses); e a sua idade, ou a idade do comprador mais velho, caso o financiamento seja feito por mais de uma pessoa.

Um dos diferenciais da ferramenta é a apresentação do valor exato de cada uma das prestações que serão pagas. Assim, se o prazo for de 360 meses, por exemplo, é possível checar o valor da 180ª parcela para saber quanto você pagará na metade do financiamento.

Outro dado interessante é o valor total, que permite observar a enorme diferença entre o valor da compra à vista e o valor financiado.

Ao simular um financiamento de um imóvel de 500 mil reais (com entrada de 100 mil reais, juros de 8% ao ano, prazo 360 meses, para um comprador de 30 anos), por exemplo, a ferramenta mostra que o custo final da operação é de 983.073,46 reais.

Nesse caso, o valor total pago representa um acréscimo de 96% em relação ao valor à vista, ou quase o dobro do preço do imóvel.

No mesmo exemplo, ainda, a ferramenta mostra que a primeira parcela será de 4.161,44 reais, a 180ª parcela, na metade do financiamento, será de 2.779,63 reais e a última prestação será de 1.187,54 reais.

Também é possível checar qual será o saldo devedor do financiamento em cada mês, que indica qual seria o valor necessário para quitar a dívida antecipadamente.

Dados sobre a ferramenta

Os cálculos da ferramenta são realizados pelo Sistema de Amortização Constante (SAC), o tipo de financiamento mais usado pelos bancos atualmente.

Nesse sistema, o valor da dívida amortizado mês a mês é constante, mas os juros pagos nas parcelas iniciais são maiores e vão diminuindo ao longo do tempo. Assim, os valores das prestações – que incluem a amortização do saldo devedor, os juros e outros encargos-, são decrescentes.

Segundo disposição do Banco Central (BC), todo financiamento deve incluir o pagamento de dois segurosobrigatórios: o seguro para Morte e Invalidez Permanente (MIP), que quita o saldo devedor do financiamento em caso de falecimento do mutuário ou em caso de invalidez; e o seguro de Danos Físicos do Imóvel (DFI), que cobre prejuízos causados ao imóvel por fatores externos.

Para a ferramenta, portanto, o Canal do Crédito considerou os valores médios cobrados pelas principais seguradoras que atuam na oferta do MIP e do DFI nos financiamentos de imóveis.

Outra norma do BC permite aos bancos cobrar uma taxa de administração de até 25 reais por mês pela gestão do financiamento. Apesar de ficar a cargo das instituições a decisão de cobrar ou não essa taxa, na maioria esmagadora dos contratos de financiamento a taxa é aplicada, e pelo seu valor máximo, segundo o Canal do Crédito.

Dessa forma, a ferramenta também inclui nos cálculos a taxa de administração mensal de 25 reais.

Fonte: Exame 06/04/2015.

“Mercado difícil para quem constrói e vende imóveis…oportunidades para quem quer comprar terrenos e imóveis”

O economista Ricardo Amorim concedeu entrevista para a Revista Setin, tratou sobre o mercado imobiliário e as oportunidades do momento. Vale a pena conferir!

Casa Dolar

O mercado imobiliário está, no geral, pessimista quanto às perspectivas neste ano. Há motivo para isso?

Sem dúvida, há muitos motivos para este pessimismo. A confiança de empresários e consumidores está no nível mais baixo em uma década. Quem está muito preocupado com o futuro, não investe em uma nova fábrica ou troca de casa. Assim, é muito improvável que após as quedas fortes no número de imóveis vendidos no ano passado, tenhamos uma recuperação significativa ou talvez sequer qualquer recuperação neste ano. Além disso, com as incorporadoras de capital aberto com um estoque de lançamentos equivalente em média a quase dois anos de volume de vendas, a atividade de construção e novos lançamentos neste ano também deve ser bastante limitada.

Como qualquer momento de dificuldade, este também traz uma série de oportunidades. Quem procura terrenos para empreendimentos, por exemplo, terá provavelmente as melhores oportunidades de compra em mais de uma década, após um período de fortíssima elevação de preços nos últimos anos.

Da mesma forma, quem quer comprar imóveis, provavelmente encontrará as melhores ofertas e oportunidades em muito tempo à medida que muitas incorporadoras tenham de desovar seus estoques inflados.

Havia uma expectativa de melhora no mercado após a Copa do Mundo, mas ela não se confirmou. Há como fazer um diagnóstico do que aconteceu?

A maioria acreditava que a economia teria um desempenho melhor do que teve no segundo semestre, o que deveria contribuir para a normalização do mercado, mas o que se viu foi o contrário, um aprofundamento da desaceleração econômica. Somou-se a isso uma crise política muito grave que contribuiu para aumentar as incertezas e fortalecer o pessimismo. Neste cenário, a baixa procura por imóveis não é de surpreender.

Por outro lado, ao contrário do que alguns que diziam que o Brasil teria uma bolha imobiliária para estourar e que os preços dos imóveis cairiam 50% após a Copa do Mundo, mesmo com quedas de vendas de imóveis de até 40% em algumas cidades importantes, a Copa passou e os preços dos imóveis, na maioria dos casos continuaram subindo. Aliás, segundo o Índice FIPE-ZAP, independentemente de duas limitações metodológicas, apenas em Brasília os preços não subiram no ano passado. Se somarmos às altas de preços menores no ano passado a renda de aluguel e considerarmos as respectivas alíquotas de imposto de renda, praticamente em todo o Brasil, mesmo em um ano em que a venda imóveis despencou, quem investiu em imóveis ganhou mais dinheiro mesmo no ano passado do que na maioria das outras aplicações financeiras, como Bolsa, Caderneta de Poupança ou Fundos de Renda Fixa.

É provável que a alta de preços se desacelere ainda mais e que pequenas quedas de preços de imóveis sejam bem mais frequentes neste ano – gerando boas oportunidades para novos compradores – mas se os preços não despencam nem em um cenário tão negativo, está comprovado que a teoria que teríamos uma bolha imobiliária em vias de estourar está furada, como venho defendendo desde 2007.

Ricardo Amorim - Blog do Parlare

Houve uma maior procura de investidores estrangeiros nesse mercado no início do ano? Como podemos avaliar esse movimento, ele é positivo para o mercado como um todo?

Não só é positivo, mas creio que ele vá se intensificar. A forte desvalorização do Real nos últimos meses deixou os imóveis no Brasil bastante baratos aos olhos de investidores estrangeiros que, na maioria, analisam os preços em dólares. Mesmo em euros, os imóveis ficaram bem mais baratos no Brasil.

Além disso, eu acredito que há uma bolha acionária que inevitavelmente estourará nos próximos anos nos EUA e quando acontecer, passado o olho do furacão que provocará um aumento na aversão arisco de investidores em todo o mundo, forçará investidores a buscarem novas oportunidades de investimentos no mundo. Uma destas oportunidades, provavelmente estará em mercados imobiliários em países emergentes, incluindo o Brasil.

Quais cenários podemos esperar para o segundo semestre e para 2016?

Ainda difícil, mas muito possivelmente melhorando. As muitas medidas de ajuste que o governo tem adotado têm de corrigir uma série de desequilíbrios que se formaram principalmente nos últimos quatro anos. Infelizmente, 2015 será mais um ano difícil, com uma pequena queda do PIB. Os ajustes necessários são dolorosos. Como um doente que tem câncer e precisa passar por uma quimioterapia, antes de nos sentirmos melhor, vamos nos sentir ainda pior do que antes por conta dos efeitos colaterais do tratamento.

O ajuste das contas públicas, por exemplo, é inevitável, mas o aumento de impostos e o corte de gastos públicos são inicialmente recessivos, retirando dinheiro da economia em 2015, também limitando o crescimento.

Além disso, um racionamento brando de água e energia elétrica deveria ter começado no ano passado, forçando empresas e pessoas a reduzirem o consumo de água e energia. No entanto, como era um ano eleitoral, não só isto não aconteceu, mas tanto o governo federal quanto os estaduais esconderam a gravidade do problema, fazendo com que empresas e pessoas físicas não se preparassem para lidar com ele. Por isso, o ajuste agora terá de ser muito mais radical, com consequências muito mais drásticas. No caso do setor elétrico, há outra causa ainda mais grave. A crise atual foi causada em grande medida pela desastrada tentativa do governo de reduzir o preço da energia no Brasil, que reduziu sensivelmente a rentabilidade no setor, levando a redução de investimentos em geração e transmissão de energia, que se tivessem ocorrido, teriam nos deixado em uma situação muito mais confortável agora.

No entanto, se arrumarmos a casa em 2015, retomando a confiança de empresários e consumidores, podemos retomar um ciclo de crescimento mais acelerado no final do ano e nos anos seguintes, o que colaboraria para a recuperação da venda de imóveis.

Ricardo Amorim é apresentador do Manhattan Connection da Globonews, colunista da revista IstoÉ,presidente da Ricam Consultoria, único brasileiro na lista dos melhores e mais importantes palestrantes mundiais do Speakers Corner e economista mais influente do Brasil segundo a revista Forbes internacional e uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil segundo a Forbes Brasil.

Fonte: Revista Setin.