Falta de crédito deve elevar procura por consórcio imobiliário

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Diante das últimas restrições ao crédito imobiliário, os bancos trabalham para ampliar a participação do consórcio na aquisição da casa própria. Atualmente, de cada 100 bens entregues, apenas 15 foram por meio de consórcios. Há dez anos, o número era de apenas dois.

Para aumentar a adesão dos clientes à modalidade, os gerentes estão sendo treinados para ofertar o produto como mais atrativo do que os financiamentos, que passaram a ser cada vez mais seletivos e caros por causa da falta de recursos. As instituições financeiras afirmam que as construtoras e incorporadoras já as procuraram para garantir a abertura de novos grupos de consórcios de imóveis.

No consórcio, os próprios participantes se financiam. O banco reúne grupos de interessados que pagam mensalidades acrescidas de taxas de administração, seguro e uma quantia para o fundo reserva de precaução a calotes. Mesmo assim, o valor é menor do que os juros cobrados em qualquer tipo de financiamento imobiliário. Como o dinheiro vem do próprio grupo, não há cobrança de juros, o que é vendido geralmente como a principal atratividade desse modelo de poupança forçada.

Para Maurício Maciel, diretor de consórcios da Caixa Seguradora, as mudanças adotadas pelos bancos, incluindo elevação de juros e, principalmente a redução de 50% do porcentual máximo financiado de imóveis usados, permitirá que o consórcio possa capturar essa fatia do mercado que ficou perdida. No ano passado, 58% dos 375 mil imóveis financiados com recursos da poupança eram usados. Pelos cálculos da Caixa Seguradora, se as novas regras fossem aplicadas nos dados de 2014, praticamente 150 mil moradias não se enquadrariam nas regras para serem financiados. “O consórcio é uma boa alternativa para desatar esse nó da economia. Ainda temos espaço para crescer quatro vezes mais do que nossa carteira”, garante Maciel. A Caixa Seguradora tem R$ 13,2 bilhões em consórcios.

Com crédito abundante, o financiamento sempre foi visto como mais vantajoso porque permite ao consumidor ocupar o imóvel e se livrar dos gastos do aluguel. No consórcio, a cada mês, um ou mais cotistas são sorteados para receber uma carta de crédito com o valor total do imóvel. Eles continuam pagando as parcelas para financiar a compra dos demais. O tempo de pagamento dura em média 15 anos nos maiores bancos.

Por essa característica, o consórcio sempre foi visto como opção para jovens que ainda moram com os pais ou para quem busca um segundo imóvel para investir, público que não se preocuparia tanto com o tempo de espera. Três quartos dos clientes que fazem consórcio já tem um imóvel.

“É chegada a hora de, em vez de antecipar, se preparar e postergar o sonho de consumo”, afirma Octavio de Lazari Junior, diretor gerente do Bradesco, líder no mercado de consórcio, com quase R$ 19 bilhões. “O consórcio é um importante instrumento para fazer com que a população brasileira comece a poupar com vistas a conseguir um objetivo em dois, três, quatro anos.”

O consumidor tem a possibilidade, porém, de antecipar a contemplação por meio de um lance (quitação de parte do valor do imóvel). O lance mais alto leva a carta – nos primeiros meses pode chegar a 90% da carta de crédito. É possível usar o FGTS para fazer esse lance, além dos recursos que poupou com a intenção de dar uma entrada no financiamento.

Há grupos que permitem o chamado “lance embutido”, forma de o consorciado usar a própria carta de crédito para apresentar sua proposta.

Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo  (18/05/2015).

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“Esta é a melhor hora para investir”, segundo economista Ricardo Amorin

Consultor destaca que momento atual é propício para adquirir imóveis.

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Apesar do desaquecimento da economia brasileira, com a perspectiva de queda na geração de riqueza do país este ano e da contração em praticamente todos os setores, o economista e apresentador de TV Ricardo Amorin, diretor da Ricam Consultoria, avalia que esse é um bom momento para se investir em imóveis porque os preços vão se recuperar com a retomada da economia brasileira a partir do ano que vem. Para os que duvidam, ele lembra que quem comprou imóvel em 2002 e 2003 – quando o dólar chegou a R$ 4 e o país viveu um momento de crise – viu “o preço do seu imóvel se multiplicar por duas, três, cinco, 20 vezes”.

Formado em economia pela Universidade de São Paulo e pós-graduado em finanças internacionais pela Essec Business Scholl de Paris, Ricardo Amorim estudou a ocorrência de desequilíbrios do mercado imobiliário em 97 países ao longo da história e é categórico ao descartar o risco de haver uma bolha imobiliária no Brasil. “O raciocínio de que o país teria uma bolha imobiliária está furado.” Ele observa que quando estourou a bolha nos Estados Unidos os preços dos imóveis caíram 80%, enquanto no Brasil, mesmo com o desaquecimento nas vendas, os preços continuam em alta, embora em ritmo menor em relação a anos anteriores. Para o economista, um dos apresentadores do programa Manhattan Conecttion, na Globo News, as medidas de ajuste do governo vão permitir que a economia se torne mais saudável e volte a crescer. Veja os principais pontos da entrevista ao Estado de Minas.

 Oferta imobiliária

“No mercado brasileiro não tem excesso de oferta. Pode ser que em um nicho muito específico exista algum problema, mas no Brasil como um todo não. Se você pegar o país, em 2013 foram lançadas 196 mil unidades, entre casas e apartamentos, e estima-se que outras 200 mil casas foram erguidas em regime de autoconstrução. Então em um ano você teve quase 400 mil lançamentos. Em um ano o número de casamentos no Brasil é de 1,05 milhão, enquanto são registrados 350 mil divórcios, o que significa 1,4 milhão de novos lares sendo formados. Então está-se formando 1,4 milhão de lares e construindo-se 400 mil unidades em um ano. Isso sem contar o déficit habitacional de 5 milhões ou 6 milhões de unidades.”

Demanda reprimida
“O que não é falta de demanda. O que ocorre é que a demanda se retraiu. Primeiro porque a economia piorou e isso levou as pessoas a considerarem a perda do emprego e com isso nós temos a confiança mais baixa em 10 anos. E quem está assim não troca de carro e nem troca de casa. Há R$ 12 bilhões aprovados nos consórcios em crédito imobiliário já sorteado e essa demanda vai aparecer uma hora e vai ter mais gente comprando no mercado. Essa é uma demanda reprimida que, quando volta, impulsiona os preços.”

Bolha imobiliária?
“Desde de 2007 se fala em bolha imobiliária e que a queda nas vendas levaria a uma redução forte de preços. Ocorre que quando a bolha estourou nos Estados Unidos, o preço dos imóveis caiu até 80% e no Brasil não tem essa bolha, porque o mecanismo de financiamento que existe lá não há aqui. Pesquisei bolhas imobiliárias em 97 países e um fator comum a todas elas era um grau de endividamento grande, com o total de crédito imobiliário superando 50% do PIB. Nos Estados Unidos era de 89% do PIB. No Brasil, o crédito imobiliário significa cerca de 9% do PIB. O raciocínio de que o país teria uma bolha imobiliária está furado.”

Preços dos imóveis
“Em 2014 houve uma queda de venda grande, mas quando você olha o mercado como um todo, os preços continuaram a subir. Ou seja, num cenário de queda de vendas era de se esperar que os preços despencassem, mas o que se tem num curto prazo são as altas de preços desacelerando em função do aumento do desemprego, da falta de confiança do consumidor. Fiz um estudo de preço de imóveis e renda em 562 cidades de 129 países e o que se observa é que onde o padrão de renda é mais alto os preços dos imóveis são mais altos. E o Brasil está perto da média de preços de mercados emergentes e em todos os preços subiram porque essas economias cresceram e surgiu crédito e teve mais gente comprando. E quando a procura sobe, os preços sobem.”

Ajuste fiscal
“O país está passando pelo momento mais difícil em 2015, que é um ano de ajuste. É como um paciente com câncer. A quimioterapia cura a doença, mas o doente se sente pior. Com o tempo, o ajuste vai fazer o investimento crescer. Hoje nós temos uma alta de juros para reduzir a inflação, mas isso vai passar. O resultado vai ser uma economia mais saudável. E com isso a alta de preços dos imóveis deve se acelerar.”

Momento de investir?
“Esta é a melhor hora para investir e a razão é que todo mundo está preocupado e ninguém comprando e nessa situação surgem as melhores oportunidades. Em 2002, quando o dólar chegou a R$ 4, e em 2003, quando a economia cresceu pouco, como neste ano, em que o PIB pode até cair um pouco, quem comprou em 2003 viu o preço do imóvel se multiplicar por duas, três, cinco, 10, 20 vezes. As melhores horas para se investir em imóveis são quando ninguém quer fazer. Com a redução do financiamento, o impacto inicial é a redução da procura. Com menos gente buscando crédito e menos gente comprando, quem tem que vender vende mais barato e essa situação cria oportunidade para quem compra o imóvel.”

Legislação
“O problema de leis de uso e ocupação do solo em busca de melhor qualidade de vida em zonas urbanas mais ocupadas é que elas encarecem o preço dos imóveis para todos. Se o terreno comprado antes tinha um aproveitamento maior e agora esse aproveitamento é menor vai haver um número menor de unidades para pagar o terreno e os novos imóveis lançados serão mais caros, com os que já existem balizando preços. E esse é um fator que deixa de ocorrer enquanto a tendência da economia é de desaceleração, mas vai chegar uma hora em que esse fator (lei de uso e ocupação) vai ser determinante para a alta de preço. Mais um motivo para se comprar antes.”

Perspectiva
“No segundo semestre vai haver algum movimento já de preços voltando a ter aceleração e em 2016 é bastante provável, quase certo, que o cenário será de aceleração do crescimento econômico, com maior geração de emprego e retomada da confiança dos consumidores. No crédito vai haver maior contratação, porque com os juros mais apertados a inflação tende a cair e com isso os juros podem voltar a cair, barateando o crediário. E somando-se a isso a lei de uso e ocupação do solo, a tendência é de aceleração de preços no mercado imobiliário.”

O mercado
“O mercado imobiliário é quase 10% do PIB considerando-se toda a cadeia do setor, do fornecimento de matéria-prima à concessão de financiamento e a construção em si. No ano passado essa participação deve ter caído um pouco e em 2015 talvez caia mais um pouco, mas já em 2016 ela volta a subir. Mas um patamar de 8% a 9% do PIB é bastante significativo. É normal em países em desenvolvimento, e o Brasil se aproxima mais desses países porque quando não há crédito poucas pessoas compram imóveis. Com a expansão do crédito mais gente pode comprar. Mas não foi só a expansão do crédito que incrementou o setor de construção. A mudança da lei de patrimônio de afetação (em 2004), que basicamente separou o que é a construção da construtora, também impulsionou o mercado.”

Decisão de compra
“O primeiro fator na hora da compra é a questão do prazo do investimento, porque o imóvel tem uma característica dupla. Ele não só é um investimento como também é um bem de que você usufrui. No mercado financeiro você ganha ou perde e com o imóvel você usa. Então essa é a primeira característica do investimento em imóvel. E há fatores que são sempre bons de você verificar, como a localização. Esse ou aquele é o melhor lugar, principalmente no Brasil isso é mais importante ainda porque há problemas de transporte e deslocamento nas grandes cidades. Outro fator para quem vai comprar é que nesse momento inicial há por parte de algumas construtoras um estoque de lançamentos e ele vai ser desovado com preços atraentes.”

Fonte : Estado de Minas (10/05/2015).

Consórcio Imobiliário – Como funciona ?

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“As recentes mudanças promovidas pelas autoridades governamentais no mercado imobiliário, especialmente nos imóveis usados, deverão provocar uma reflexão do brasileiro quanto à compra desse bem patrimonial.” A declaração é de Paulo Roberto Rossi, presidente-executivo da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac).

Vale ressaltar que o consumidor que detinha e detém valor semelhante ao antigo percentual para a entrada na compra do imóvel poderá transformá-lo em custo de oportunidade, caso acabe optando por consórcio imobiliário; ofertando essa quantia em lance nas assembléias mensais. Quando contemplado, o consorciado poderá utilizar o crédito disponibilizado como se tivesse comprando à vista, negociando descontos e barganhando vantagens.

A fim de não inviabilizar a concretização do sonho quando da contemplação, no Sistema de Consórcios, o participante, de posse da autorização para uso do crédito, poderá utilizar até 10% desse valor em despesas cartorárias, pagamento de tributos e seguros.

Como funciona o consórcio imobiliário?

Trata-se de um grupo de pessoas que paga parcelas mensais para ratear o valor de um bem. Com o dinheiro de cada uma delas, os participantes podem ser contemplados com uma carta de crédito a qualquer momento e obter os recursos necessários para a compra do imóvel.

Os custos dos consórcios variam entre 4% a 5% ao ano e no caso dos financiamentos facilmente passam de 10%. Assim, se o comprador não tiver pressa, entrar em um consórcio será muito mais barato que o financiamento e se o participante tiver sorte, ele pode ser contemplado em pouco tempo.

Outra vantagem do consórcio é que a carta de crédito é corrigida por índices inflacionários. E se antes essas correções não eram suficientes para superar a valorização dos imóveis, com o mercado menos aquecido, mesmo se o participante for contemplado mais tarde, ele mantém o seu poder de compra.

Apesar de o consórcio ser uma alternativa interessante na comparação com o financiamento, se o comprador tiver disciplina para poupar os recursos e investi-los por conta própria, essa será a melhor opção, já que ele receberá rendimentos por isso, em vez de pagar taxas.

A questão é que nesse caso, o poupador pode demorar um tempo maior para conseguir acumular os recursos suficientes para a compra do imóvel. Já no consórcio, a contemplação pode adiantar esse processo.

Fonte :  Revista Exame e Monitor Digital

As alternativas para financiar imóveis usados fora da Caixa

Alternativas
Com as novas restrições nos financiamentos imobiliários da Caixa, o cenário muda completamente para o comprador de imóveis usados. Daqui para frente, quem não tiver praticamente metade do valor do imóvel deverá recorrer a outros bancos para fazer o financiamento, e fazer isso o quanto antes pode ser a melhor saída.

Marcelo Prata, presidente do Canal do Crédito, site especializado na comparação de operações de crédito, afirma que com a saída da Caixa de jogo outros bancos ficam mais à vontade para aumentar suas taxas.

“Um mercado no qual a Caixa não existe para quem não tem 50% de entrada fica menos competitivo. Nas conversas que tive com bancos privados, eles sinalizaram que devem aumentar a taxa atual, mas pelo menos não disseram que vão exigir entradas maiores”, afirma Prata.

Diante da redução na captação de depósitos na poupança, principal fonte de recurso dos financiamentos, a Caixa reduziu o valor mínimo de entrada da linha de crédito para imóveis usados (LTV, na sigla em inglês) para 50% nas operações feitas pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e 60% para o Sistema Financeiro Imobiliário (SFI).

O SFH é regulado pelo Banco Central e utiliza recursos da poupança para financiamentos de até 750 mil reais nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e no Distrito Federal e de até 650 mil reais nos demais estados. Pela maior regulação, suas taxas são menores e não podem passar de 12% ao ano.

Já o SFI é o sistema usado para financiamentos de imóveis de valores maiores e costuma ter taxas mais salgadas.

A pedido de EXAME.com, o Canal do Crédito fez uma simulação para mostrar quais são as condições de financiamento oferecidas pelos principais bancos que servem como alternativa aos compradores que não possuem os valores de entrada exigidos pela Caixa, que passam a valer a partir de 04 de maio.

O resultado mostra que nos demais bancos, a entrada exigida para financiamento de imóveis usados é de 20%, no mínimo, em todos eles.

Já os custos variam bastante. O Custo Efetivo Total (CET), taxa que mostra o que o tomador realmente paga pelo financiamento (ao considerar todos os encargos, como juros, seguros obrigatórios, taxa de administração e outros), varia entre 11,09% a 13,24% para financiamentos de imóveis de 500 mil e de 11,27% a 13,17% para imóveis de 800 mil. Confira a seguir.

Financiamento de imóvel de 500 mil pelo SFH nos bancos grandes que ainda aceitam entradas de apenas 20%*

Condições da simulação: valor do imóvel: R$ 500 mil; entrada: 20% do valor do imóvel; valor do financiamento: R$ 400 mil; prazo: 360 meses; idade do comprador: 45 anos.

BANCO BB ITAÚ BRADESCO SANTANDER
TAXA DE JUROS (efetiva) 9,90% 11,60% 9,60% 10,50%
CET 11,31% 13,24% 11,09% 11,48%
1ª PARCELA R$ 4.424,43 R$ 5.030,56 R$ 4.445,04 R$ 4.687,73
ÚLTIMA PARCELA R$ 1.197,22 R$ 1.146,32 Não Informado R$ 1.145,39
VALOR TOTAL DO FINANCIAMENTO R$ 1.107.636,08 R$ 1.211.522,51 Não Informado R$ 1.058.911,85
SEGURADORA: Banco do Brasil Seguradora Itaú Bradesco Seguros Zurich Santander

Financiamento de imóvel de 800 mil pelo SFI  nos bancos grandes que ainda aceitam entradas de apenas 20%*

Condições da simulação: valor do imóvel: R$ 800 mil; entrada: 20% do valor do imóvel; valor do financiamento: R$ 640 mil; prazo: 360 meses; idade do comprador: 45 anos.

BANCO BB ITAÚ BRADESCO SANTANDER
TAXA DE JUROS (efetiva) 9,90% 11,60% 9,60% 11,00%
CET 11,27% 13,17% 11,70% 11,90%
1ª PARCELA R$ 7.064,08 R$ 8.033,88 R$ 7.439,30 R$ 7.728,21
ÚLTIMA PARCELA R$ 1.900,56 R$ 1.819,11 Não Informado R$ 1.818,31
VALOR TOTAL DO FINANCIAMENTO R$ 1.766.817,73 R$ 1.933.038,00 Não Informado R$ 1.732.693,10
SEGURADORA: Banco do Brasil Seguradora Itaú Bradesco Seguros Zurich Santander

Fonte: Canal do Crédito, com base nos juros informados nos sites dos bancos. Foi considerada a taxa de balcão, que é aplicada a clientes que não têm relacionamento prévio com o banco.

* Financiamentos pelo Sistema de Amortização Constante (SAC), no qual o valor da dívida amortizado mês a mês é constante, mas os juros pagos nas parcelas iniciais são maiores e diminuem ao longo do tempo. Assim, os valores das prestações – que incluem a amortização do saldo devedor, os juros e outros encargos-, são decrescentes.

Negociar é preciso

Marcelo Prata afirma que o CET deve ser o principal ponto a ser avaliado para comparar os custos dos financiamentos entre os bancos e é o parâmetro oficialmente adotado pelo Banco Central. Ainda que alguns compradores observem o custo final do financiamento, ele não reflete subjetividades do pagamento, como o valor que o dinheiro perde ao longo do tempo.

A partir desse critério, a simulação mostra que para imóveis financiados pelo SFH o Bradesco é o banco mais vantajoso e no caso dos financiamentos pelo SFI, o Banco do Brasil oferece as melhores condições.

Vale ressaltar, no entanto, que as taxas usadas para a simulação são as taxas de balcão, que são aquelas cobradas de clientes que não têm relacionamento prévio com o banco.

Marcelo Prata orienta que o comprador verifique as condições que ele encontraria para financiar o imóvel em diferentes bancos, pois as taxas variam de acordo com oscore do cliente, uma espécie de nota que os bancos atribuem ao cliente de acordo com o seu perfil e histórico de pagamento.

“O primeiro passo é ir até o banco onde já existe o relacionamento e aprovar a carta de crédito lá, que terá validade de 120 dias. Com essa carta em mãos, então o comprador deve buscar outros bancos e dizer que já tem a carta aprovada no seu banco e deseja verificar também as suas condições”, orienta Prata.

O presidente do Canal do Crédito acrescenta que essa pesquisa de taxas e as negociações com diferentes bancos faz ainda mais sentido agora, já que s crise econômica no país reduz o número de pessoas interessadas em tomar crédito. “Em momentos como esse, a bola vira para o tomador e os bancos brigam pelo cliente”, diz.

Mesmo com mudanças, comprar imóvel agora pode ser melhor do que esperar

Mesmo com a menor presença da Caixa no mercado de imóveis usados, esperar um momento mais oportuno para conseguir condições de financiamento melhores pode não adiantar, a não ser que o cliente possa esperar por um prazo mais longo.

Por dois motivos: o mercado está com a demanda desaquecida, o que pode levar o comprador a encontrar boas oportunidades de preços. “Com menos compradores, os proprietários têm oferecido preços mais baixos, que podem compensar as piores condições de financiamentos”, afirma Marcelo Prata.

A segunda razão seria a perspectiva de alta da taxa de juros básica da economia (Selic) e a manutenção da taxa em patamares elevados até o ano que vem pelo menos.

Assim, por mais que as condições tenham piorado, esse deve ser o cenário mantido pelo menos até a economia se estabilizar e os juros baixarem de novo, o que pode acontecer apenas a partir do meio do ano que vem, segundo economistas.

Se for possível, vale a pena dar uma entrada maior

Quem tem um valor de entrada maior obtém taxas mais atraentes, afinal os juros incidem sobre um valor e número de parcelas menor. Por isso, quanto maior a entrada, mais barata será a operação para o consumidor.

A notícia da Caixa, no entanto, torna ainda mais vantajoso o pagamento de uma entrada maior, já que apenas se o comprador tiver 50% ou 60% do imóvel ele terá a opção de financiar com a Caixa, que ainda tem as melhores taxas para determinadas faixas de valores.

O Canal do Crédito também simulou as condições dos financiamentos encontradas na Caixa e nos outros bancos para quem tem a possibilidade de pagar os novos percentuais de entrada exigidos pelo banco.

Além de comparar os custos da Caixa com outras instituições, a simulação abaixo mostra como o valor de entrada maior gera custos muito menores do que nas condições apresentadas acima, quando é dada uma entrada de apenas 20%.

Na primeira tabela, foi simulado um financiamento dentro do SFH, com o novo limite de crédito da Caixa, de até 50% do valor do imóvel e a segunda tabela mostra o financiamento pelo SFI, com o limite de financiamento de 40% do valor do imóvel.

Financiamento de imóvel de 500 mil pelo SFH com entrada de 50%, incluindo condições da Caixa

Condições da simulação: valor do imóvel: R$ 500 mil; entrada: 50% do valor do imóvel; valor do financiamento: R$ 250 mil; prazo: 360 meses; idade do comprador: 45 anos. 

BANCO BB ITAÚ BRADESCO SANTANDER CAIXA
TAXA DE JUROS (efetiva) 9,90% 11,60% 9,60% 10,50% 9,45%
CET 11,80% 13,45% 11,33% 11,57% 10,91%
1ª PARCELA R$ 2.792,12 R$ 3.170,32 R$ 2.804,40 R$ 2.986,67 R$ 2.726,01
ÚLTIMA PARCELA R$ 839,46 R$ 789,00 Não Informado R$ 732,22 R$ 726,30
VALOR TOTAL DO FINANCIAMENTO R$ 726.897,97 R$ 766.628,04 Não Informado R$ 678.350,22 R$ 678.524,03
SEGURADORA: Banco do Brasil Seguradora Itaú Bradesco Seguros Zurich Santander Caixa Seguros

Financiamento de imóvel de 800 mil pelo SFI com entrada de 40%, incluindo condições da Caixa

Condições da simulação: valor do imóvel: R$ 800 mil; entrada: 40% do valor do imóvel; valor do financiamento: R$ 320 mil; prazo: 360 meses; idade do comprador: 45 anos. 

BANCO BB ITAÚ BRADESCO SANTANDER CAIXA
TAXA DE JUROS (efetiva) 9,90% 11,60% 9,60% 11,00% 11,00%
CET 11,84% 13,47% 12,03% 12,12% 12,32%
1ª PARCELA R$ 3.581,31 R$ 4.065,39 R$ 3.768,15 R$ 3.946,27 R$ 3.847,84
ÚLTIMA PARCELA R$ 1.081,90 R$ 922,05 Não Informado R$ 928,63 R$ 896,25
VALOR TOTAL DO FINANCIAMENTO R$ 933.090,24 R$ 983.926,95 Não Informado R$ 891.802,19 R$ 912.523,08
SEGURADORA: Banco do Brasil Seguradora Itaú Bradesco Seguros Zurich Santander Caixa Seguros

Fonte: Canal do Crédito, com base nos juros informados nos sites dos bancos. Foi considerada a taxa de balcão, que é aplicada a clientes que não têm relacionamento prévio com o banco.

* Financiamentos pelo Sistema de Amortização Constante (SAC), no qual o valor da dívida amortizado mês a mês é constante, mas os juros pagos nas parcelas iniciais são maiores e diminuem ao longo do tempo. Assim, os valores das prestações – que incluem a amortização do saldo devedor, os juros e outros encargos-, são decrescentes.

As tabelas mostram que no caso de financiamentos do SFH, para imóveis de valores menores, a Caixa ainda apresenta as taxas mais baixas.

Já se o imóvel for mais caro, e entrar no SFI, a Caixa tem o segundo maior CET e o Banco do Brasil tem as melhores condições.

Ou seja, mesmo se o comprador possuir a entrada exigida pela Caixa, ainda assim financiar o imóvel em outros bancos pode ser mais vantajoso.

Fonte : EXAME (29/04/2015).